Completamente rejuvenescido,
chegou num repente, sem pré-aviso, e vinha com uma pica de quem parecia não ver ondas há uma década. Claro que a sua Ben Player PP, powered by NMD, dava uma boa ajuda..
"Jojoca, como é que é? Amanhã chego a Aveiro, tenho uma nova amiga e curtia dar uma voltinha nela. Para além disso, tenho umas contas para ajustar com uma esquerdinha marada que parte aí nas redondezas.."
E assim foi..
Roncou noite a dentro nas Dunas de São Jacinto (e já agora, diga-se em abono da verdade, tanto roncou, que obrigou o Diogo, também a dormir nas redondezas, a abandonar a superficie dunar, para se refugiar no banco de trás do seu silencioso carro), e acordou para a prometida caminhada rumo ao paredão que, como quase sempre, não desiludiu. Estava prevista a chegada de um swell limpinho de 1,2m para meio da manhã, e nós lá estaríamos para o receber..
Água cristalina, pico vazio, quando dei por ela, já estava a arrancar com um DZP em S-Control, sem fatanga, a mostrar que o frio do norte faz bem à casca. Bottom controlado, suavisa o trim e acelera para se desviar da junção, num rail to rail com destreza para dar e vender.. Definitivamente, não era o Zeca que eu conhecia.
Ainda o vi esconder-se por dentro de um tubinho acanhado, e não fosse o Diogo estar em dia de grande sintonia, diria sem hesitação que foi o Rei do Pico.
Algumas horas de ondas e mais uma caminhada volvidas, armou-se novamente o estendal na superfície dunar. Corpos cansados, chouriças de Seia e do Fundão assadas, pão fresco, Esteva tinto, reserva 2004, factor 50 de protecção, uma mistura explosiva para uma sesta como não há memória.
Acordei estremunhado, já passava das 17h30, olhei à volta e, nada, apenas dunas e vestígios dispersos de que por ali alguém tinha passado bem.
Quanto ao Zeca, não mais o voltei a ver. Soube que abalou para o Norte por tempo indefinido, e sei que vai querer ali voltar.
Mas como já adivinhava o outro, Neptuno há de lhe indicar o caminho de regresso..